terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nem sei quanto tempo faz
Mas também não faz diferença
Sei que deu tempo para sentir
E saber também que difere
Ter você por perto ou longe
Sentindo saber que o tempo parou
E mudou um pouco para fazer
Saber o diferente em nós
E sentir dizendo que
Na verdade está tudo igual

bem vinda.
vc fez falta.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Amigas

Loiras, morenas. Grandes (e pequenas) amigas.
Daquelas que precisamos a toda hora em todo o momento.
Principalmente quando dele não fazem parte.
As horas passam de um jeito e a necessidade continua de outro.
Longas curtas conversas de novidades sem sentido e fatos repetidos.
Extensas e necessárias dúvidas de promessas divididas com os demais.
A vida toda nos leva para o mesmo círculo de encontro, onde vocês são sempre o centro.
E o entorno faz sentido, porque o de dentro tá resolvido.

Amizade verdadeira, vcs tem comigo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O tubarãozinho que comeu a estrelinha

Era uma vez um filhote de tubarão chamado Pipo.
Pipo dormia todas as noites de barriga pra cima bem no meio do oceano.
O oceano no qual Pipo morava era azul clarinho de dia e azul escuro à noite.
Aliás, escuro era como ficava a noite toda, quando o pequeno tubarãozinho ia dormir.
Mas ele não gostava do breu. Achava que monstros do mar poderiam aparecer nessa hora e ele teria pesadelos.
Pipo só não se sentia tão sozinho porque havia uma estrelinha bem em cima de sua cama.
A estrelinha chamava Nina. Mas ele ainda não sabia disso.

Um dia, Pipo aprendeu com seus primos mais velhos que tubarões gostam de comer coisas. Qualquer coisa. Tem que comer e fazer cara de mau.
Pipo não sabia fazer cara de mau e seus primos caçoaram dele e foram brincar em outra parte do oceano.

Pipo ficou tão triste que chorou até a hora de dormir.
Quando olhou pro céu viu Nina, tão pertinho, tão quietinha, brilhando como nunca.
Sem pensar duas vezes foi logo comendo a estrelinha e fazendo cara de mau.

Num primeiro momento, ficou muito feliz. Radiante.
Havia conseguido fazer como seus primos mais velhos.
Mas logo percebeu que tudo tinha ficado um verdadeiro breu.
Bem preto, cor de baleia orca.

Pipo começou a ficar com medo, muito medo e chorou.
Enquanto estava chorando, no meio do soluço, acabou vomitando a pobre estrelinha Nina.
Ela também estava chorando, porque achou que nunca mais ia poder iluminar as noites dos amiguinhos do mar. Ficou tão triste que disse isso para Pipo.
Só então Pipo percebeu o quanto Nina era importante para a noite dele, e de todos os amiguinhos peixinhos.

Depois desse dia, Pipo nunca mais comeu nada que não fosse comida de tubarãozinho.
E Nina brilhou sempre, todas as noites, para Pipo não dormir no escuro.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Hoje, pensando no dia corrido e na vida que passa, ele parou pra pensar no tempo perdido. Não no clichê dos amores não vividos, as risadas perdidas, nem os soluços em vão. Esses sempre vai haver, ou com muita intensidade ou com pouca, mas sempre.
Parou pra pensar no porque de tudo isso. Nos prazos, nos desafios, nas conquistas e até nos fracassos. No silêncio que passa nessas intersecções e deixa claro o quanto ele faz falta. Nas pausas entre um assunto e outro que mostram quanto são necessárias e escassas. Nas vírgulas entre um assunto e outro que mostram o quanto as reticências poderiam ser mais constantes.
Enfim, parou pra pensar no porque do atropelamento em coisas banais e necessárias. Sem ter tempo para aproveitar o indispensável e ocioso.
Vida, corrida vida. De que vale vivê-la pensando em aproveitá-la, ao invés de aproveitá-la enquanto vivemos?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

[o diálogo]

- Fadinha querida, meu nome é Livia. Hoje eu deitei pra dormir bem cedo, igual a mamãe mandou. Na escola, a professora disse que quem faz os sonhos é gente como a gente. E a mamãe disse que quem faz os sonhos é a nossa cabeça. Mas eu acho que é você. Então, se você tá me ouvindo, queria te pedir uma coisa. É só uma tá? A mamãe diz que eu sempre fico pedindo muitas coisas, mas é que eu preciso de muitas coisas durante o dia. O outro dia eu pedi pra mamãe pro meu cachorrinho voltar do céu. Mas ela disse que a passagem dele era só de ida. Não entendi direito, mas acho que isso quer dizer que ele não vai voltar. Ah, lembrei, eu ia pedir pra você fazer parar de chover no meu sonho. Sabe o que é? É que eu ainda faço xixi na cama... Espero que você não esteja rindo que nem os garotos da escola. Mas eu faço xixi na cama e essa chuva toda me dá vontade de fazer mais. Só que eu prometi pra mamãe que não ia mais fazer xixi pra poder ganhar vários chocolates na Páscoa, que é esse domingo. Mas isso você já deve saber, porque o papai do céu fica aí do seu lado, né? Era só isso fadinha. Por favor, faça parar de chover.
Ah, e se der, dá pro meu cachorrinho aparecer no meu sonho? Queria dar um beijo nele. Tchau, boa noite.

um continho de ninar.

Lindo dia de sol e ela pensava em chuva. Daquele tipo que é sempre do contra, só para contrariar as expectativas. Nada de regras funcionavam com ela. A ideia era solta, e dela ela podia fazer o que bem entendesse. Hoje a ideia era chuva, deixar molhar e deixar viver. Em todos as cabeças de todos os seres humanos que já dormiam hoje iria chover. Sem exceções. Nem sempre confiavam que ela sabia gerir esses assuntos. Afinal, todas as vezes que a produção dos sonhos ficava por conta dela todo mundo sonhava igual. E sonhava com chuva.
Ela via certa majestade nisso. Um brilho nas fantasias alheias que valia cada pingo derramado. E nada mais justo do que gastar água imaginária. Essa não corre o risco de acabar. E assim, logo de manhã, todos acordavam sonolentos. Alguns lembrando dos sonhos, outros não, mas todos com a impressão de estarem aliviados.
A chuva nos sonhos lava a alma. E ela sabia disso, melhor do que ninguém. E quando chegava o dia dela cuidar dos devaneios noturnos da humanidade, ela ficava o dia inteiro pensando no que fazer.
Por que os sonhos, cada um sonha o seu. Mas o clima e a ambientação era ela que preparava. E em todos eles ela queria que chovesse. Tinha garoa, tempestade, raios e trovões. Tinha chuva para tudo quanto é gosto. Mas a água tinha de estar presente. Caso contrário, a pessoa teria pesadelos. Essa era a única regra. Que na verdade era uma contra-regra. Pois ela estava proíbida de determinar que iria sonhar e quem iria ter pesadelos.
Por fim, chegou mais um dia em que a chuva invadiu os sonhos de metade do mundo. Livia despertou no meio da noite com medo da chuva. Sua mãe disse que não chove nos sonhos, que a chuva que ela sentia era a tempestade que caía lá fora, na vida real. Livia tinha certeza que chovia no seu sonho e fez uma oração. Pediu pra fada do sonho fazer parar de chover.
E lá no céu, depois de uns pinguinhos últimos despejados, a ama dos sonhos viu uma luz se ascender. Alguém falando com ela, finalmente. E, depois de uma longa conversa com Livia, decidiu abrir o Sol. Mas só sobre sua cama. E foi assim que a pequena Livia dormiu todos os dias iluminada.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vale ou não vale?

Já faz alguns anos que escrevi um artigo sobre meu começo na vida publicitária.
Tudo tinha aquele cheirinho de novo, de diferente, de diversão.
Hoje, muitos dias dedicados à labuta, fica a duvida se é isso que eu estava pensando.
Quando abri a inscrição do vestibular e fiz um "x" na opção Publicidade e Propaganda, era isso que eu estava esperando?
Dias e mais dias trabalhando muito além do horário, horas e mais horas procurando ideias diferentes em cima da pressão do prazo, da entrega, da necessidade do cliente?
Parece complicado admitir que sim. Ou talvez eu não soubesse que seria isso. Mas quando fui descobrindo como era, ao invés de escapar pela tangente enquanto ainda dava tempo, fui mergulhando, mergulhando. E agora estou atolada de lama até o peito.
E quando vale isso tudo?

Vale uma campanha boa na rua.
Vale um amigo seu falando "Vc viu aquele filme novo da X na tv? É muito bom"
Vale você entender a magia que está por trás da produção de grandes filmes.
Vale uma ideia diferente que ninguém teve, um jeito de contar a história que ninguém usou, uma mídia que não existia e agora todo mundo quer fazer...
Vale o sorriso, quando é pra rir.
A emoção, quando é pra chorar.
E um pouco da angústia... isso também vale.

Pra mim, é ela que contagia pra seguir em frente.
A sensação de não ter conseguido chegar ao ponto que você queria com aquele anúncio, aquele site, aquela ação, faz você olhar pra frente e pensar que no próximo você vai conseguir.
E aí você tenta de novo. E de novo, e mais uma vez.
Uma hora a coisa engrena e tudo fica mais fácil.
Todo mundo fica feliz.
Todo mundo se emociona.

E de repente você entende o que você faz e porque você ainda gosta disso.
Você entende quando olha pro lado e vê um sorriso em cada um que participou do projeto.
Vê a coisa no ar e tudo faz sentido.
Foi por isso que você marcou aquele "x" no vestibular.
E, se isso não vale, daí aquela ideia que você teve hoje cedo você pode guardar na gaveta.
Porque se você não acredita, aí nada disso vale a pena.